quinta-feira, 15 de maio de 2008

Da busca

Eu olhei atrás das árvores
E nos ninhos dos passarinhos
Eu olhei no outro lado do rio
Até perguntei aos peixinhos

Eu procurei na multidão
Mas só encontrei a minha solidão
Eu olhei em baixo das pedrinhas
Eu até fiz uma rezinha

Eu olhei por todos os lados
Até nos meus sonhos eu olhei
Eu olhei em corações abandonados
E nos ocupados também

Eu procurei em qualquer lugar que você imaginar
Eu procurei até me cansar
Mas agora eu posso entender
Que não há ninguém como você

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Fale-me dele

Chegue perto de mim
Me dê um pouco de fogo
Seja meu amigo, querido
Me diga o que aconteceu com ele

Como ele está?
Ele ainda sorri como antes?
Como ele está?
Ele ainda tem aquele corte de cabelo?

Me dê algo para beber
Escute as minhas
lamentações
Seja paciente, querido
Me diga o que aconteceu com ele

Como ele está?
Ele anda mais bonito que eu?
Como ele está?
Ele anda se alimentando direito?

Ponha a música para tocar
Dance um cheek to cheek comigo
Diga a verdade, meu bem
Me diga o que aconteceu com ele

Como ele está?
Ele ainda tem medo?
Como ele está?
Ele ainda se lembra?

Pergunte a ele se os novos beijos s
ão divinos
Pergunte se eles lhe esquentam como os meus
Mas n
ão diga a ele o que aconteceu comigo

Me diga o que ele disse
Quais foram as suas palavras?
Me diga o que ele quis dizer
Para onde olhavam os seus olhos?

Eu quero saber se os novos beijos s
ão divinos
Eu quero saber se eles o esquentam como os meus
Mas n
ão diga a ele o que aconteceu comigo

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Mãe, olha o mico

Texto para o TDB da Capricho

Minha mãe me disse que quando ela me segurou nos braços pela primeira vez o seu primeiro pensamento foi: "Deixa eu olhar bem para a carinha dela para que
não troquem minha neném na maternidade." E desde 1991 parece que a única coisa que ela tem feito é olhar bem para a minha carinha, pois nada que eu faça parece passar em branco.
A verdade é que a maioria das lembranças que eu tenho de mim e da minha mãe consiste em nós duas brigando. N
ão importa se eu tenho sete, dez ou dezessete anos, se eu e a minha mãe passamos mais de uma hora juntas, seja ao vivo, por telefone ou pelo computador, cabeças sempre rolam.
Mesmo assim eu n
ão sei o que seria da minha vida sem a minha mãe. Mesmo com tantos gritos, choros e mordidas, existe entre nós um amor que ultrapassa qualquer entendimento ou, no nosso caso, desentendimento. Foram inúmeras as vezes em que eu quis jogar mamãe do trem, mas, se eu estou longe, só penso em traze-la para perto de mim, esquecer todos os traumas e todas as mágoas ainda guardadas e dizer para ela o que eu nunca digo.
A minha mãe é a única pessoa constante na minha vida, muitas vezes ela acreditou mais em mim do que eu mesma. E, mesmo que ela tenha errado de vez em quando, eu sei que tudo o que ela faz é pensando no meu bem e na minha felicidade. E é por isso que eu sei que n
ão importa o que eu faça, eu sempre terei a minha mãe de péssima estrutura emocional me amando da maneira peculiar e especial que só ela sabe.